terça-feira, 26 de junho de 2012

Auto-entrevista de aniversário: 20 years old

Pra começar não posso deixar de (me) lhe perguntar: por que entrevistar a si próprio e postar isso aqui?


Porque o blog é meu e, portanto, posto o que eu quiser.

Essa é uma resposta bastante infantil pra alguém que já tem 20 anos, não?


Talvez...

Não acha muito egocentrismo fazer uma auto-entrevista?


Bastante, no entanto vivemos justamente na era do egocentrismo. As redes sociais estão aí para provar caso alguém duvide.

Como foram esses 20 anos, 240 meses e 7.305 dias de existência?


Aniversários sempre nos fazem refletir, por mais que essa maneira de se medir o tempo seja pura convenção  o que não diverge muito do resto. É comum principalmente durante a infância pensarmos que, após crescermos e passarmos a viver no “mundo adulto”, chegamos numa espécie de nível intransponível  e descobrir que a sensação de plenitude é inatingível pode ser mais doloroso do que perceber que o mundo não é um lugar assim tão agradável. Mas é claro que tudo faz parte e sempre se aprende algo.

Acha que em algum momento vai ter feito tudo o que gostaria?


Não mesmo, já me contentei em nunca me contentar, por mais paradoxal que isso pareça.


Considerando estarmos em 2012, acha que esse pode ser nosso último aniversário?


O mundo acaba a cada instante, não seria inteligente acreditar nisso profeticamente, mas é compreensível que o fim do mundo sempre tenha despertado a imaginação das pessoas em diversas culturas e lugares diferentes — e como muitas vezes a imaginação é mais importante que o conhecimento (parafraseando Einstein), questões desse tipo podem acabar gerando boas ideias.

Quando vai resolver seu problema de procrastinação?


Depois.

Nada é por acaso?


Praticamente tudo é por acaso.

A vida é justa?


Longe disso; caso fosse o conceito de Justiça dificilmente existiria.

O que pensa da vida, brevemente?


Acredito que ela consista numa experiência mais interessante do que agradável. Se você olhar para a vida de modo sincero tende a sentir um certo estranhamento (uma mistura de náusea com mal-estar, quem sabe...)  o que é bem natural em se tratando de seres tão pequenos, pretensiosos e insolitamente conscientes como nós em meio a um Universo tão grande e infindável. Por isso vivemos numa constante tentativa de preencher com um pouco disso e daquilo um vazio que não sabemos muito bem onde fica. Buscamos incessantemente pequenos prazeres que vão nos motivando e cujas sensações, segundo Schopenhauer, resumem-se à ausência de dor. Não sei se concordo, mas de qualquer forma é tudo muito impressionante, quando se para pra pensar.

Tudo é relativo?


Não, sobretudo quando se utiliza isso como argumento retórico.

A primeira impressão é a que fica?


Sim, até que se tenha a segunda, que fica até que se tenha a terceira, e assim por diante...

Como vê e se relaciona com a arte?


Acredito que suas diversas formas refletem o que há de melhor no ser humano, talvez por isso seja tão difícil ganhar dinheiro através dela.

Segue alguma religião/filosofia de vida?


Sou um homem (pós-)moderno, um humanista!

Você se considera um cara vintage?


NÃO!

Uma música que lembra seus momentos mais insanos?


Where is my mind? – Pixies.

Uma música que lembra sua mãe?


Hey Jude – The Beatles.

Um personagem?


Light Yagami.

Um livro que você gostaria de ter escrito?


O Guia do Mochileiro das Galáxias.

O livro?


Brave New World — Aldous Huxley.

Uma música que poderia se tornar o hino da humanidade?


Imagine — John Lennon, por mais clichê que pareça citá-la.


Por que afinal do título Praticamente Aleatório, de onde veio isso?


Do modo como vejo as coisas, basicamente. Pense no quanto tudo é aleatório: tente imaginar, por exemplo, a quantidade de eventos que tiveram de ocorrer necessariamente como ocorreram (conditio sine qua non) para que você estivesse aí agora, lendo o que escrevi; ou melhor, na quantidade de eventos que acabaram por culminar no seu próprio nascimento. E se seus pais nunca tivessem se conhecido ou se as primeiras criaturas vivas do planeta jamais tivessem deixado o mar? Pois então, a aleatoriedade da vida só não é completa, na perspectiva do sujeito, justamente porque este está condenado a escolher, não de modo absoluto, é claro, mas tendo infinitas possibilidades dentro de seu campo de escolha: ao optar por uma delas, excluindo as demais, age de modo praticamente aleatório.

Você se considera alguém praticamente aleatório?


Sou o praticamente aleatório por excelência.


E isso significa alguma coisa?


Praticamente nada (risos).

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