quinta-feira, 19 de julho de 2012

Para Roma, com Amor

O novo longa de Woody Allen, que está entre seus recentes trabalhos ambientados na Europa (por falta de financiamento mais perto de sua praticamente idolatrada cidade natal) é composto por quatro histórias independentes que se alternam ao longo do filme, tendo como ponto em comum a milenar capital italiana. Além da agradável trilha sonora e bela fotografia, um elenco de peso garante ótimas atuações.

Na história que abre o filme, Jerry (vivido pelo próprio diretor) e Phyllis (Judy Davis) chegam à Roma para conhecer a família e o noivo de sua filha Hayley (Alisson Pill), que encontrou o amor na Cidade Eterna. Jerry, que é um diretor musical aposentado e entediado – representando um estereótipo da própria personalidade do cineasta: neurótico e marcado pela grande produtividade (não se aposenta para não morrer de tédio, como diz) – vê no pai de seu genro incrível talento ao ouvi-lo cantando no chuveiro e decide inseri-lo no mundo da música – o problema é que sua habilidade musical só funciona durante o banho; inconveniente este que será superado pelo engenhoso Jerry de forma não muito conveniente.

Na outra parte é narrada a situação inusitada vivida pelos jovens recém-casados Antonio (Alessandro Tiberi) e Milly (Alessandra Mastronardi). Enquanto ele se esforça para resistir à irresistível Anna (Penélope Cruz), prostituta que alguém pagou para lhe oferecer seus serviços, que por acidente é apresentada como sua esposa a alguns familiares; ela se perde na cidade, encontra um ator do qual é fã e acaba sendo seduzida por ele.


Já a outra história retrata o encontro de Jack (Jesse Einsenberg), um jovem americano estudante de arquitetura residente em Roma, com John (Alec Baldwin), um arquiteto americano de sucesso que logo se torna sua voz moral interior (numa interpretação psicanalítica, faz papel de “id” e “superego“, ora inibindo, ora incentivando Jack) passando a aconselhá-lo diante da situação em que se encontra: prestes a trair sua namorada, Sally (Greta Gerwig), cedendo aos encantos de Monica (Ellen Page) – a melhor amiga dela, que passa alguns dias na casa deles.

Por fim é narrada a insólita situação ocorrida com Leopoldo Pisanella (Benigni), um cidadão romano comum que do nada se torna uma grande celebridade e passa a encarar os prós e contras da fama. Uma evidente alusão ao poder da mídia em moldar figuras públicas e torná-las ideais coletivos.

Repleto de bons diálogos e humor típicos do diretor, que desde Annie Hall traz belos insights sobre as inconstâncias dos relacionamentos amorosos, Para Roma, com Amor não perde o ritmo do começo ao fim. Apesar disso, o roteiro utiliza-se de fórmulas já exploradas e não traz grandes novidades, tampouco figura entre os melhores de Woody Allen. Em comparação às suas obras anteriores trata-se de um filme mediano; já no geral é muito bom! Não duvido do potencial criativo do diretor, mas acredito que seus grandes filmes (aqueles que estão estre os melhores do cinema mundial) já foram produzidos. É triste pensar que Woody Allen esteja na fase final de sua carreira, mas ao mesmo tempo uma grande alegria poder conferir um filme seu no cinema! Infelizmente Para Roma, com Amor, além do atraso em relação à data de estreia oficial, está sendo exibido em apenas alguns cinemas no Brasil – um visível descaso com filmes que fogem ao padrão blockbuster do cinema mainstream. Onde moro, por exemplo, o filme só está em cartaz em um dos quatro cinemas disponíveis, embora se trate de uma cidade universitária de porte médio, onde visivelmente há público para tal.

De qualquer forma, é um filme sobretudo divertido. Vale a pena conferir e rir das histórias românticas, neuróticas e insólitas, temas tão recorrentes na filmografia do diretor quanto ao nosso redor, quando paramos pra observar.



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