segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Ponderações sobre o futuro

Resolvi acessar o blog para dar uma olhada e levei um susto: a última postagem data de 23 de dezembro de 2013. Faz praticamente um ano! Não sou nenhum campeão em periodicidade, mas poxa, um ano é bastante tempo. Assim, decreto a seguinte regra: o lapso temporal entre duas postagens neste blog não excederá um ano, sob pena de o autor ficar um mês sem consumir cafeína. E para não infringir a norma recém-criada: eis a postagem.

Admiro os poucos que ainda conseguem manter uma boa periodicidade nas postagens em blogs (não que eu tenha alguma vez tentado). Recentemente houve grande popularização dos vlogs: canais no Youtube vêm ganhando cada vez mais audiência e destaque. Compare o número de visualizações de tais vídeos com o de páginas escritas, por exemplo. Mas a verdade, caro leitor, é que mesmo em sua época áurea os blogs jamais foram assim tão populares, sendo um veículo eficaz para um público pequeno, porém fiel. Contudo, não viso abordar isso aqui.

De antemão, lanço a pergunta: o que você quer fazer de sua vida? Pois este post é basicamente sobre isso. Mas não trato essa questão de modo teórico-acadêmico, tampouco de forma genérica. Ao contrário: parto de meu próprio ponto de vista. Tão somente isso.

Ressalto ainda que este blog não é acadêmico. Não viso aqui escrever em terceira pessoa a partir de uma suposta perspectiva objetiva usando palavras como “destarte” e citando fontes nas benditas normas da ABNT. Este espaço sempre retratou, de forma mais qualitativa que quantitativa (sorry), pequenas criações deste autor, além de sua — minha — visão sobre este ou aquele livro, filme ou coisa que os valha. Sigo.

Aos vinte e dois, me formei em Direito. A colação de grau e a festa de formatura são só mês que vem, em dois mil e quinze. Mas acabou.

Rapidamente se passaram cinco anos de graduação, permeados por projetos de pesquisa, participação em grupos de estudo, estágios, congressos, simpósios, etc. Ao todo foram quatro mil quatrocentas e quarenta horas-aula. Creio ter aproveitado, ao menos razoavelmente bem, as oportunidades da vida de graduando, que terminou com a aprovação de meu trabalho de conclusão de curso. Nota máxima. O Acesso à Internet: um Novo Direito Fundamental, foi o tema pesquisado. Mas o post também não é sobre isso (quem sabe numa próxima).

Há pouco, antes de começar este texto, estava estudando para a segunda fase do Exame da OAB, que atualmente é unificado: aplica-se a mesma prova em todo o território nacional. Passei na primeira fase sem ao menos estudar, creio que a base adquirida na faculdade foi útil. Já para a segunda a coisa muda, as peculiaridades das peças processuais demandam mais atenção. O estudo para a OAB geralmente significa uma coisa na vida de um estudante de Direito: a iminência do fim da graduação.

Com o final da faculdade, se instaura a pergunta: e agora?

Decerto já nos perguntamos isso antes. A adolescência é sem dúvida o maior período de procrastinação existencial pelo qual alguém passa ao longo da vida. Se ao sair do ensino médio, há cinco anos, eu não tinha qualquer certeza e muitas dúvidas sobre o futuro; agora tenho menos dúvidas. Já consigo ao menos vislumbrar o caminho a ser seguido no horizonte.

É amplamente sabido que a distância mais curta entre dois pontos consiste numa linha reta (a não ser que se use um buraco de minhoca de atalho, o que não vem ao caso...). Assim, não raro costumamos enxergar o caminho que devemos percorrer a fim de concretizar um objetivo dessa forma, como uma simples linha reta que liga o presente (ponto A) ao futuro almejado (ponto B).

Contudo, a vida não é tão simples nem linear. A linha onde projetamos nosso trajeto inevitavelmente fará curvas para os lados, intempéries de toda a natureza e eventuais buracos na estrada podem protelar nossa chegada, nos apresentar novos caminhos e nos conduzir a lugares inesperados. Em todos os aspectos da vida, é importante não deixar que o almejado ponto B da reta hipotética nos tire a atenção do aprendizado a ser adquirido enquanto caminhamos.

Isso me lembra da lição que aprendi com Lost, cujo final revoltou a muitos fãs na época. É o seguinte:

Às vezes a viagem é mais valiosa do que o destino.

No caso da série e seu desfecho, essa lição se aplica totalmente. Na vida, só conseguimos ver o valor do que aprendemos ao longo de uma jornada ao olhamos retrospectivamente, após termos percorrido um bom trajeto.

Há uma cena de Matrix em que Morpheus diz para Neo:

"Cedo ou tarde você vai perceber, como eu, que há uma diferença entre conhecer o caminho e percorrer o caminho."

Este é o ponto.

No meu caminho, em curto prazo, vislumbro a prova da OAB e de alguns concursos. Mas e no futuro distante? O que farei de minha vida?

A verdade é que não há como encaixar todas as minhas pretensões num modelo pré-estabelecido. Quero coisas demais. O que me parece razoável como meta, por ora, trata-se de uma carreira jurídica-acadêmica-literária. Nunca ouviu falar disso? Pois então. Há que se criar o próprio caminho.

A graduação me ensinou a gostar da pesquisa acadêmica, e também contribuiu para o meu interesse pela prática do Direito. Mas ambas não me satisfariam por completo. É preciso criar: eis a literatura. Entre a escrita acadêmica, a escrita técnica da prática jurídica e a escrita literária, esta é sem dúvida onde se tem o maior grau de liberdade; é onde posso dar vazão às constantes erupções de ideias que me acontecem. Posso projetar para o meu futuro, portanto, ao menos três pretensões. Como vou concretizá-las? Só saberei ao percorrer o caminho.

E você, já encontrou o seu caminho?

Um comentário:

  1. Não, senhor. Ainda procrastino existencialmente, apesar de já ter feito algumas escolhas (num plano teórico).
    Me enxergo num caminho antes da encruzilhada para outros caminhos, o que não assusta tanto mas é de igual grandeza.
    O que me espanta é saber que o trem nunca dá marcha ré, e para quando quer. But that's the thing: não há muita coisa a se fazer além de admirar bem pra paisagem na janela, conversando de maneira entusiasmada com os passageiros ao redor.
    Até aqui tem sido lindo <3

    ResponderExcluir